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Em 49 estados, é só basquete. Mas aqui é Indiana 01/07/2010

Posted by Thiéres Rabelo in Artigo.
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Gordon Hayward, nona escolha do Draft de 2010 (Foto de Bill Kostroun / Associated Press)

Gordon Hayward, nona escolha do Draft de 2010 (Foto de Bill Kostroun / Associated Press)


Texto de Jeff Rabjohns, do Indianapolis Star.

Josh McRoberts aprendeu já cedo que existem mais jogadores do que camisetas. Aos dez anos de idade, tentando se destacar no meio de centenas de outros garotos quicando bolas de basquete no ginásio local, o objetivo de McRoberts era apenas fazer parte do time principal da high school (escola de ensino médio) de Carmel.

Mas NBA? Não estava nem em questão.

“Pode até ter sido um sonho quando criança, mas eu não imaginava que aconteceria” falou o ala-pivô do Indiana Pacers.

Hoje em dia, os jovens jogadores de Indianápolis estão crescendo com uma perspectiva diferente por causa da histórica seqüência de talentos criados na cidade.

A região metropolitana de Indianápolis tem agora nove representantes na NBA, depois que Gordon Hayward foi escolhido por Utah no Draft da última quinta-feira.

Indy teve pelo menos um atleta selecionado na primeira rodada do Draft nos últimos cinco anos, o que empata com Los Angeles, na maior seqüência já registrada no mundo.

Mesmo que esses números dêem margem para os jogadores das high schools da cidade pensarem que eles poderão seguir o mesmo caminho de seus antecessores da NBA, a probabilidade de eles não conseguirem é enorme.

Apenas 0.00545% dos 550 mil garotos que jogam basquete em high schools nos EUA todos os anos se tornam escolhas de primeira rodada do Draft da NBA – 1 em cada 18.333. Considerando-se que, em média, jogadores estrangeiros ocupaaram cinco dessas escolhas nos últimos 12 Drafts, os números diminuem para 0.00454% – 1 em cada 22 mil.

“Com o número de garotos que têm esse sonho e a quantidade mínima de vagas na NBA, é incrível que nós tenhamos tantos” diz Shawn Teague, que tem um filho, Jeff, na NBA e outro, Marquis, considerado um provável profissional em pouco tempo. “É meio inacreditável quando você pára para pensar.”

“Esse poderia ser eu”

O “talento de NBA” de Indy explodiu após a escolha de Rodney Carney em 2006.

Greg Oden e Mike Conley, da Lawrence North HS, e McRoberts foram selecionados em 2007. Eric Gordon, da North Central HS, Courtney Lee, da Pike HS, e George Hill, da Broad Ripple HS, entraram em 2008. Jeff Teague, de Pike, entrou no ano passado e Hayward na última quinta-feira. JaJuan Johnson, da Franklin Central HS, tem boas chances de se juntar a eles no ano que vem.

O efeito dessa seqüência de Indy tem dois lados.

Alcançar a NBA parece mais palpável para os jogadores de hoje, por causa das inspirantes histórias desses nove astros locais.

Contudo, ele também cria o risco de fazer a jornada rumo à NBA parecer mais fácil do que realmente é. A precaução se torna grande quando os jogadores, por mais promissores que sejam, estão a par das probabilidades.

De 1998 a 2007, anualmente, menos de 30% dos 100 melhores seniors (em último ano no ensino médio) das high schools (290 em cada 1.000) foram selecionados na primeira ou segunda rodada do Draft. Entre os que ficaram de fora, estão incluídos 14 jogadores rankeados entre os dez melhores de suas categorias.

“As pessoas nos dizem, ‘alguns de vocês conseguirão e a maioria de vocês não’” disse DeShaun Thomas, estrela do high school basketball de Indiana, ganhador do prêmio Mr. Basketball, concedido pelo jornal Indy Star e um dos melhores seniors de todos os EUA, com contrato verbal firmado com a universidade Ohio State. “Mas quando vejo caras como John Wall, Eric Gordon e Mike Conley, eu sempre penso, ‘esse poderia ser eu.’”

“Eu olho para eles e encontro motivação para seguir seus passos.”

Wall, Conley e Gordon foram escolhas de loteria (entre as 14 primeiras) jogando apenas um ano no basquete universitário.

McRoberts sabia que essa seqüência de Indy poderia ter um efeito duplo, mas ele espera que ela seja uma inspiração. Por serem de Indy e detentores de um enorme talento, Marquis Teague, de Pike, e D’Vauntes Smith-Rivera, de North Central, são mencionados como futuros profissionais.

“Por nos verem ir para universidades e em seguida para a NBA, os garotos podem dizer, ‘ei, eles começaram nas mesmas HS que nós. Então eu posso chegar à NBA’” falou McRoberts. “Se as crianças verem dessa maneira, isso pode ser um modelo para elas, algo que as mostre que elas têm uma oportunidade. Os números podem enganar alguns, mas se eles verem o trabalho duro que é preciso e se engajarem nele, acho que será uma coisa boa.”

Robert Glenn, que jogou contra Oden e Teague no ensino médio e seguiu Hill na universidade de IUPUI, passou a pensar dessa maneira após vê-los chegar aos profissionais.

“It makes it seem that much closer,” said Glenn, who had NBA workouts but was a long shot to be drafted. “I see people I’ve played with make it, and I know I’m good too. I know I can step up and do the same thing they’re doing.”

“Esses números fazem a NBA parecer muito mais próxima” falou Glenn, que chegou a treinar com algumas franquias, mas não passou nem perto de ser selecionado. “Eu vejo caras com os quais eu joguei chegando lá e eu sei que eu sou bom também. Eu sei que posso fazer o mesmo que eles estão fazendo.”

“Tão longe da realidade”

Antes de chover seleções de primeira rodada em Indy, houve uma seca.

Essa é a realidade na maioria das cidades.

Entre os que não conseguiram, estão incluídos jogadores que eram dominantes no ensino médio e que jogaram em grandes programas do Division I da NCAA. Quatro jogadores da região metropolitana de Indy foram ganhadores do prêmio Mr. Basketball em um período de seis anos, de 1999 a 2004 – Jason Gardner, Chris Thomas, Justin Cage e A.J. Ratliff – mas nenhum deles foi selecionado no Draft. Robert Vaden, de Pike, rankeado em 38º nacionalmente em 2004, foi selecionado na segunda rodada do Draft de 2009 pelo Charlotte Bobcats, mas acabou indo jogar no exterior. Neste verão, ele tentará um contrato com o Oklahoma City Thunder.

Há lições em todo lado, mas elas estão sendo aprendidas?

Vaden espera que sim, mas não está convencido.

“Espero que os atuais jogadores do ensino médio não pensem que está mais fácil chegar lá só porque alguém semelhante a eles conseguiu” falou Vaden. “Você tem que continuar trabalhando duro. Há muitos ótimos jogadores. Você tem que ter seus sonhos, colocar seu coração nisso, mas é bom sempre ter um plano B. Nem todo mundo escuta, especialmente quando você é jovem e não percebe que precisa de um plano reserva.”

Jack Keefer, treinador da Lawrence North HS, viu garotos ficarem tão vidrados em suas expectativas de ir à NBA, que se transferiram para high schools com um ensino pior.

“Todos eles têm essa visão de virarem profissionais, uma visão tão longe da realidade” disse Keefer, que em seus 36 anos na escola treinou apenas três jogadores que foram para a NBA. “Eles talvez consigam, mas é mais provável que não. Eles estão perseguindo um sonho, desistindo do ensino médio, indo parar em uma escola no meio do nada na West Virginia e ficam entediados.”

“Eles estão desistindo de uma educação, não estudando como deveriam. Eles não estão sendo realistas.”

Shawn Teague, que treina crianças, tenta mostrar a seus jogadores que as porcentagens são muito baixas. Teague, que na universidade de Boston foi treinado pelo atual treinador da universidade de Louisville, Rick Pitino, tenta mostrá-los que usar o basquete para conseguir educação de qualidade gratuitamente traz benefícios para a vida inteira e tem muito mais chances de acontecer do que se jogar na NBA.

“O que me deixa chateado é que as crianças parecem jogar as oportunidades pela janela. Acho que elas não têm a noção de que são apenas 60 vagas por ano na NBA” disse Teague.

“Muitos pensam, ‘eu serei como aquele cara e serei escolhido entre a 10ª e a 20ª escolha do Draft.’ Todos eles parecem ter essa visão de o que acontece com os outros, também se aplica a mim. Sob esse ponto de vista, é triste.”

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